Loot boxes: uma questão social e até política

Cerca de um ano depois das primeiras críticas pesadas à existência de loot boxes nos principais videogames da atualidade, a questão não deixou de gerar polêmica. Em novembro de 2017, o ministro da Justiça da Bélgica declarou que deveria ser possível proibir as empresas de desenvolvimento de jogos de vídeo de incluírem essas funcionalidades em toda a União Europeia. O assunto das loot boxes foi falado na mídia brasileira também. E um ano depois, como estamos?

Comparando com caça-niqueis

As loot boxes são um dos meios mais frequentes utilizados pelas desenvolvedoras de videogames para monetizar seus produtos. Esses mecanismos oferecem aos jogadores itens especiais que lhes permitem fazer progressos mais rápidos no jogo ou que podem simplesmente ter um efeito estético. Entretanto, esta oferta tem duas condições muito particulares:

  1. – obriga a um pagamento (a que chamam a “microtransação”, pois é um pequeno valor);
  2. – o pagamento não dá ao jogador o direito de conseguir o item. Ele é sorteado, e o jogador pode ter sorte ou azar; se tiver azar, não ganha nada e o pagamento, claro, não é devolvido.

Na prática, o jogador arrisca na sorte de conseguir um extra, fazendo um pagamento para isso. Se falhar, pode sempre tentar de novo. E de novo, e de novo.

O mecanismo é muito semelhante ao de uma máquina caça-niqueis, física ou virtual (visite o site da NetBet para saber mais sobre caça-niqueis online) e isso atraiu críticas de gamers, pais, da mídia e de responsáveis políticos, em vários países. E mesmo assim tem uma grande diferença para os cassinos online: estas plataformas só permitem o jogo a maiores de idade e não escondem a informação de que estão oferecendo um sistema de jogo de azar, ao contrário das desenvolvedoras que apresentam um conceito mais vago e menos transparente (e dirigido a menores, também).

Perseguição em vários países

Desde então, a Bélgica e a Holanda classificaram as loot boxes como jogos de azar e obrigam as desenvolvedoras a retirar de seus jogos para seus mercados; o senado dos Estados Unidos enviou questões ao sindicato de desenvolvedoras do país; e as autoridades de jogos de 15 países europeus e do estado americano de Washington declararam estar trabalhando em conjunto para acertar uma posição comum. Na Austrália, se prevê uma reação forte quando o senado desse país publicar o relatório de um inquérito sobre a questão.

As desenvolvedoras reagiram de modo diversos. Algumas retiraram suas loot boxes voluntariamente, mas depois da primeira onda, outras empresas estão tentando reagir. A 2K encorajou seus usuários na Bélgica a contatar as autoridades para demonstrar que não estão insatisfeitos com as condições que encontram no jogo NBA 2K19. E o CEO da Ubisoft já declarou que não tem nenhum problema com a funcionalidade e que é uma forma de monetização como qualquer outra.

A polêmica chegará no Brasil?

Até o momento, e apesar de ser possível encontrar, em fóruns e mídias sociais, gamers brasileiros opinando sobre esse assunto, nenhuma autoridade brasileira mostrou interesse ou se perguntou que os jovens estarão gastando demasiados reais com esse negócio. Ao mesmo, só a mídia especializada em gaming e tecnologias vem acompanhando o que se passa no exterior; a mídia nacional praticamente ignorou o assunto. Talvez com a entrada em funções de um novo presidente da República algo mude nessa matéria.

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